quarta-feira, 29 de janeiro de 2014
E sendo água, amor, querer ser terra."
"Aflição de ser eu e não ser outra.
Aflição de não ser, amor, aquela
Que muitas filhas te deu, casou donzela
E à noite se prepara e se adivinha
Objeto de amor, atenta e bela.
Aflição de não ser a grande ilha
Que te retém e não te desespera.
(A noite como fera se avizinha)
Aflição de ser água em meio à terra
E ter a face conturbada e móvel.
E a um só tempo múltipla e imóvel
Não saber se se ausenta ou se te espera.
Aflição de te amar, se te comove.
E sendo água, amor, querer ser terra."
[Hilda Hilst]
terça-feira, 28 de janeiro de 2014
Soneto 64
A ruína me faz ruminar uma idéia
Que o Tempo deve vir arrebatar-me o amor
Para mim isto é morte e não posso senão
Tua perda temer e chorar por te ter.
[Shakespeare - Soneto 64 Tradução de Oscar Mendes)
Amar
Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
[Carlos Drummond de Andrade]
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
[Carlos Drummond de Andrade]
domingo, 26 de janeiro de 2014
XXV
Amoldei meus pés ao teu caminho.
Um distorcido de luzes e de lírios
Lagunas ruivas, vozes
Vindas de um não sei onde, vivas
Me fizeram supor que o teu caminho
Era a luz do meu passo, merecida
Porque de luta e a sós
Toda minha vida.
[Hilda Hilst]
Um distorcido de luzes e de lírios
Lagunas ruivas, vozes
Vindas de um não sei onde, vivas
Me fizeram supor que o teu caminho
Era a luz do meu passo, merecida
Porque de luta e a sós
Toda minha vida.
[Hilda Hilst]
XIV
E sem ser vista
Rasgo
Alguns véus e fibras
Sem ser amada
Pertenço.
Que sobreviva
O fino traço de tua presença.
Aroma.
Altura.
E lacerada eu mesma
Que jamais se perceba
Umas gotas de sangue na gravura
[Hilda Hilst]
Ruído
Tudo o que eu queria dizer e não digo
Por que pura poesia,
bonito demais
pros teus ouvidos.
Você não pode entender,
acha que é puro ruído,
o que meu coração remói.
.
Será que é normal se acostumar com pouco? Fico pairando sobre a dúvida - aceitar o outro como ele é, respeitar sua individualidade é muito importante em uma relação, mas aceitar permanecer quando isso é pouco e vazio, é deixar de respeitar o próprio desejo. O meu desejo é grande, intenso, bom. Mas ele é visto como luxo, como se eu não tivesse o direito de tê-lo - como se fosse demais pra mim. Tenho medo de estar sendo contaminada por esse pensamento. Medo de estar aceitando todo o vazio ao achar que tudo que quero é inalcansável e supérfluo. E no meio desse medo, já nem sei por que amei.
quarta-feira, 15 de janeiro de 2014
A coragem de criar
A terceira espécie de coragem é o oposto da apatia descrita acima, a que chamo coragem social. É a coragem de se relacionar com os outros seres humanos, a capacidade de arriscar o próprio eu, na esperança de atingir uma intimidade significativa. É a coragem de investir o eu, por certo tempo, num
relacionamento que exigirá uma entrega cada vez maior.
A intimidade requer coragem porque o risco é inevitável. Não é possível saber, logo no início, de que forma o relacionamento nos irá afetar. Crescerá, transformando-se, em auto-realização, ou nos destruirá? A única coisa certa é que, se nos entregarmos totalmente, para o bem e para o mal, não sairemos ilesos.
[Rollo May em "A coragem de criar"]
terça-feira, 14 de janeiro de 2014
A vida está nos olhos de quem sabe ver.
É preciso reviver o sonho e a certeza de que tudo vai mudar.
É necessário abrir os olhos e perceber que as coisas boas estão dentro de nós, onde os sentimentos não precisam de motivos, nem os desejos de razão.
O importante é aproveitar o momento e aprender sua duração, pois a vida está nos olhos de quem sabe ver.
[ Gabriel García Márquez ]
É necessário abrir os olhos e perceber que as coisas boas estão dentro de nós, onde os sentimentos não precisam de motivos, nem os desejos de razão.
O importante é aproveitar o momento e aprender sua duração, pois a vida está nos olhos de quem sabe ver.
[ Gabriel García Márquez ]
segunda-feira, 13 de janeiro de 2014
Quando tudo é desencontro
O coração tende a se enublar.
Nada convalesce, como se a ordem natural de todas as coisas fosse a dissipação.
Quando tudo é desencontro, cada ato corriqueiro reflete em nós como espada, estamos a sucumbir a paralisia da inércia, sem saber trilhar caminhos para a reintegração do que realmente somos.
Fraquejamos quando tudo parece horrendo, nisto não há de ser ver problema; todo ser humano desfalece no auge de suas dores.
Não encontramos o tempo, a esperança, o recomeço.
Esquecemos realmente de que é dos abismos que surgem as montanhas, de que nossos vãos moldam uma carne, uma força.
Somos imensos de não nos darmos conta.
[Lorenzo Fonseca]
segunda-feira, 6 de janeiro de 2014
Pra desconstruir é preciso ter tido antes a coragem de construir
Eu sempre disse: desconstruir dói, mas hoje vejo que depende muito do que foi construído. Muitos não tem a coragem de erguer sequer um jardim dentro de si.
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