segunda-feira, 31 de março de 2014

Que pena a vida ser só isto...

"E eu fico a imaginar se depois de muito navegar a algum lugar enfim se chega... O que será, talvez, até mais triste. Nem barcas, nem gaivotas. Apenas sobre humanas companhias... Com que tristeza o horizonte avisto, aproximado e sem recurso. Que pena a vida ser só isto...”


[Cecilia Meireles] 

.

Lutei com nada e nada valia a lida.
Amei a Natureza e logo após a Arte;
Aqueci as mãos ante o fogo da vida;
Tudo se afunda e estou como quem já parte.


Walter Savage Landor (1775-1834)

Eu e ela - ambos alucinados.

Mudos atalhos afora, na soturnidade de alta noite, eu e ela caminhávamos.
Eu, no calabouço sinistro de uma dor absurda, como de
feras devorando entranhas, sentindo uma sensibilidade
atroz morder-me, dilacerar-me.
Ela, transfigurada por tremenda alienação, louca, rezando
e soluçando baixinho rezas bárbaras.
Eu e ela, ela e eu! – ambos alucinados, loucos, na
sensação inédita de uma dor jamais experimentada.


Cruz e Sousa (Balada de Loucos)

quarta-feira, 26 de março de 2014

Prefiro.

Eu sofro. Sofro de falta, de ausência, de excesso, de perda. Sofro por que estou viva, por que sinto, por que meu corpo vibra. Não quero fugir disso que me torna humana, que é sentir e saber o que sinto.
Não quero fugir e não quero a docilidade do meu corpo, o recanto da minha casa ou a ausência da minha dor. 
Minha dor que não é descartável nem fachada, não é pouca nem exagero - é dor, é a minha dor. Dói o inevitável reconstruir, o bloco concreto das possibilidades do existir, o que pode e não pode sair de mim, o que posso e o que não está ao meu alcance, mas não há mais tempo pra dor e infinitas formas de anestesiá-la. 
Eu não quero, prefiro o grunhido doloroso ao angustiante silêncio da anestesia dos dias.

Buracos

A apatia, a loucura, a doença, o egoísmo, o desamor, o adeus - tudo nos leva alguém. Ficam buracos de todos os tipos: aqueles que são somente buracos, aqueles que se preenchem de dor, aqueles que gritam para serem preenchidos de qualquer coisa, aqueles que não são, mas se tornam buracos, aqueles que não querem ser, aqueles que sequer são percebidos, buracos de si, buracos de outros… 

E chamavam de amor próprio sua incapacidade de amar o outro.

Tinha tanto costume de ser negativo e pessimista que não conseguia entender os bons sentimentos da vida. Não era por mal - Ele desentendia o amor de borboletas na barriga, a saudade que sopra no ouvido todas as memórias, o brilho na alma de fazer o outro feliz, o desejo de carregar todos as felicidades no bolso e construir a vida com elas. As expressões de amor, a esperança, a força que nos faz conquistar todas as coisas do mundo - tudo isso era tolice, puro drama, falta de praticidade. Prático mesmo era viver sozinho, longe de olhos que possam enxergar quem somos, enxergar nossos erros; prático era esperar que tudo fosse dar errado e se vangloriar das inesperadas vitórias, era não ser responsável por fazer ninguém feliz e guardar pra si toda forma de amar; bom mesmo era acreditar que essa era a melhor forma de viver - sozinho, e chamava de amor próprio sua incapacidade de amar o outro.

[Texto de 01/09/13] 


quinta-feira, 13 de março de 2014

Amor pleno?

O amor pleno integra sentimento, pensamento e ação em um todo indissolúvel. Quando os três elementos não vão para o mesmo lado, o afeto é como uma espingarda de chumbo, e qualquer um pode sair ferido. 

[Walter Riso] 

Clarice

"Todas as manhãs ela deixa os sonhos na cama, acorda e põe sua roupa de viver." 


[Clarice Lispector]

terça-feira, 11 de março de 2014

...

Eu só queria me sentir um pouco mais alivíada,
De tanta dor
Em poucos minutos
Na imagem, de verdade no bar
Eu vi morrer o amor

[Izmália] 

Escravidão afetiva

A escravidão afetiva não é uma ficção ou um fato fora de moda. Está vigente e destrói uma infinidade de indivíduos em todo o mundo: ocorre quando o medo de perder o outro nos faz esquecer de nós mesmos.

[Walter Riso] 

sexta-feira, 7 de março de 2014

Ruptura

A ruptura não é um ato administrativo e dói até à alma, não importa como lhe seja apresentada.

[Walter Riso]

Morrer de amor é igual a morrer de desamor.



Morrer de amor é igual a morrer de desamor. É morrer de rejeição, de insuportável incerteza de não sabermos se somos amados de verdade, de espera, do impossível ou do «não» que nos atinge como um balde de água fria; é humilhar ‑se, pedir, suplicar, insistir e persistir para lá de tudo o que é sensato; é esperar milagres, reencarnações, passos de magia ou qualquer coisa que devolva a pessoa amada ou a intensidade de um sentimento que esmoreceu ou que nos fugiu entre os dedos.


[Walter Riso]

...


… Entrou de tarde no rio,
Retirou-a morta o doutor.
Dizem que morreu de frio,
Eu sei que morreu de amor.

[José Martí]

Outras Palavras

Você diz que diz em silêncio o que eu não desejo ouvir
Tem me feito muito infeliz mas agora minha filha:
Outras palavras

[Caetano Veloso - Outras Palavras]