Eu sofro. Sofro de falta, de ausência, de excesso, de perda. Sofro por que estou viva, por que sinto, por que meu corpo vibra. Não quero fugir disso que me torna humana, que é sentir e saber o que sinto.
Não quero fugir e não quero a docilidade do meu corpo, o recanto da minha casa ou a ausência da minha dor.
Minha dor que não é descartável nem fachada, não é pouca nem exagero - é dor, é a minha dor. Dói o inevitável reconstruir, o bloco concreto das possibilidades do existir, o que pode e não pode sair de mim, o que posso e o que não está ao meu alcance, mas não há mais tempo pra dor e infinitas formas de anestesiá-la.
Eu não quero, prefiro o grunhido doloroso ao angustiante silêncio da anestesia dos dias.
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