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terça-feira, 29 de julho de 2014

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Também temos saudades do que não existiu, e dói bastante.

 Carlos Drummond de Andrade.

domingo, 18 de maio de 2014

não cantaremos o amor que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.

Provisoriamente não cantaremos o
amor que se refugiou mais abaixo
dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza
os abraços,
não cantaremos o ódio porque esse
não existe,
existe apenas o medo, nosso pai
e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos
mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das
mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores,
o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e
o medo de depois da morte,
depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão
flores amarelas e medrosas.

Carlos Drummond de Andrade

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Amar - Drummond

Este o nosso destino: amor sem conta, distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas, doação ilimitada a uma completa ingratidão. 
E na concha vazia do amor à procura medrosa, paciente, de mais e mais amor.
Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa, amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.

[Carlos Drummond de Andrade]

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Amar

Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?

[Carlos Drummond de Andrade]