terça-feira, 29 de abril de 2014

Miseráveis que somos, não nos doamos.

"Somos esse grito pedindo pra ser ouvido. Esse ruído no ouvido da existência. Somos essa gente que clama o novo, mas age com velhos hábitos. E - nos achando sábios - encontramos fuga no orgulho. Aí é ferida pra tudo quanto é lado. É estrago. Danos irreparáveis. Miseráveis que somos, não nos doamos. Não mostramos a que viemos. O que fazemos é dar uma esmola ao coração do outro e ver no que dá. Porque nossa essência é mesquinha. Porque nos importa só o umbigo. Somos mentirosos em busca de responsáveis pela tragédia pouco romântica que é a vida. E de briga em briga, de morte em morte, vivemos na corda bamba da sorte. Sempre a provar que nossas ideias são melhores. Maiores. Mais sensatas e importantes, mas assim como antes, continuamos no limbo. Um purgatório onde poucos percorrem o único caminho que funciona: o amor."

I'm a suffocator

I'm wasted, losing time
I'm a foolish, fragile spine
I want all that is not mine
I want him, but we're not right


Smother






Pois foi o que fiz.

Se eu só lhe fizesse o bem
Talvez fosse um vício a mais
Você me teria desprezo por fim

Chico Buarque - Injuriado

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segunda-feira, 28 de abril de 2014

32. Heng

Ao prosseguirmos, mantemos uma atitude neutra, deixamos de olhar para trás, para os lados ou mais para adiante. Ficamos com a vista presa no que está diretamente à nossa frente, preocupados somente com que é correto e essencial.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Morre lentamente...

Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o negro sobre o branco, e os pontos sobre os 'is' em detrimento de um redemoinho de emoções, justamente as que resgatam o brilho nos olhos, sorrisos dos bocejos,corações aos tropeços e sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho , quem não se permite pelo menos uma vez na vida fugir dos conselhos sensatos.

[Pablo Neruda]

quarta-feira, 23 de abril de 2014

alguém fará isso com você, puta.

você era a maior invenção
do mundo
até que resolveu
me mandar descarga
abaixo.
agora é a sua vez
de esperar que alguém aperte
o botão.
alguém fará isso
com você,
puta,
e se eles não fizerem
você fará –
misturada ao seu próprio
adeus
verde ou amarelo ou branco
ou azul
ou lavanda.

[Charles Bukowski]

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o amor se esgota, pensei
ao caminhar de volta ao
banheiro, mais rápido
do que um jato de esperma.


[Charles Bukowski]

terça-feira, 22 de abril de 2014

se afoga e às vezes até vira pedra.

E saudade se faz conta no momento futuro? Digo eu, contrariada. Me coloco a fazer conta também – distância, conta de saudade, desejo de uma solidão com outros tantos que não seja eu, uma flor jamais, nada de chocolates, a minha mão nunca mais viu a sua. Eu imploro. Fico confusa sobre o que sobrou no final desta equação – nem sequer todos os meus orifícios. Me lembrei que nessas coisas não se faz conta, a gente sente, tenta sentir, tenta não sentir, se confunde, se afoga e às vezes até vira pedra.

[Mariana Klein - Trecho de texto de Dezembro/2013] 

Ausência

Ausência



Eu deixarei que morra em mim
o desejo de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar
senão a mágoa de me veres eternamente exausto
No entanto a tua presença
é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto
existe o teu gesto e em minha voz a tua voz
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado
Quero só que surjas em mim
como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar
uma gota de orvalho
nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne
como nódoa do passado
Eu deixarei…
tu irás e encostarás a tua face em outra face
Teus dedos enlaçarão outros dedos
e tu desabrocharás para a madrugada.
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu,
porque eu fui o grande íntimo da noite.
Porque eu encostei minha face na face da noite
e ouvi a tua fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa
suspensos no espaço.
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só
como os veleiros nos pontos silenciosos.
Mas eu te possuirei como ninguém
porque poderei partir.
E todas as lamentações do mar,
do vento, do céu, das aves, das estrelas
Serão a tua voz presente,
a tua voz ausente,
a tua voz serenizada.


[Vinícius de Moraes]

Cora Coralina


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Ok, não vou mentir, tenho sentimentos de estimação por você. Mas estou deixando de alimentá-los. Um dia eles morrem.
— Gabito Nunes. 

justo.


segunda-feira, 21 de abril de 2014

Conselheiro do Crime. [Trecho]

Insisto que você veja a verdade da situação em que se encontra.  É o meu conselho. Não cabe a mim dizer o que devia ou não ter feito. O mundo no qual procura desfazer os erros que cometeu é diferente do mundo onde os erros foram cometidos. Agora você esta numa encruzilhada. Quer escolher mas não há escolha ali. Só há aceitação. A escolha foi feita há muito tempo. Não quero ofendê-lo, mas homens que pensam demais geralmente acabam longe das realidades da vida. De qualquer forma, todos devemos preparar um lugar onde acomodar as tragédias que mais cedo ou mais tarde acontecem.





quinta-feira, 17 de abril de 2014

Apenas o fim.



"Isso é só o fim. O que realmente importa já foi feito, a gente já teve os nossos momentos especiais e é isso que importa no fim, ter alguma coisa para lembrar, alguma coisa para não esquecer, alguma coisa que não tem fim."

segunda-feira, 14 de abril de 2014

A saudade define a certeza


Pfff

"Era excitante um caso novo, mas também dava um trabalhão. O primeiro beijo e a primeira trepada tinham uma certa dramaticidade. As pessoas são interessantes no início. Aos poucos, porém, todos os defeitos e loucuradas botam as manguinhas de fora, é inevitável. Começo a significar cada vez menos pras pessoas, e elas pra mim.

— Charles Bukowski. 

segunda-feira, 7 de abril de 2014

61

Quando somos firmes na busca da verdade interior, nossa firmeza é compreendida a milhares de distância. Essa verdade pode ser ainda desconhecida por nós, mas não importa. Devemos confiar nela do mesmo jeito, mantendo-nos abertos a percebê-la, a captá-la a qualquer momento. Aí, a solução que buscamos surgirá naturalmente, mesmo que ainda não sejamos capazes de compreender o que está acontecendo.

Amar - Drummond

Este o nosso destino: amor sem conta, distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas, doação ilimitada a uma completa ingratidão. 
E na concha vazia do amor à procura medrosa, paciente, de mais e mais amor.
Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa, amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.

[Carlos Drummond de Andrade]

Do Amor - Lulu - Gal Costa - Mal Secreto